Monday, October 21, 2002

Olá pessoal.

Primeiras ou segundas notícias de Atlanta. (Eu não sei onde foi parar a edição #2. Se alguém souber, me avise)

Resumindo:
* As aulas já começaram e tenho trabalhos como: escrever duas paginas
falando sobre a minha vida, em inglês, conferindo ao leitor uma
vontade insaciável de ir até o fim, de ler cada linha; ou criar uma
marca no Photoshop (yeah! I'm taking Photoshop classes, folks) usando
as ferramentas ensinadas, criar um spot de rádio - ainda não sei sobre
o quê -, sendo que o melhor será produzido; e outras coisas básicas.
Só tive dois dias de aula até agora, mas já deu para perceber qual vai
ser o pique do curso.

* Acabei de comprar um I-Mac. Ele está instalado sobre uma cadeira no
meu quarto. Eu, por exemplo (ainda não tenho uma mesa), estou sentado
no chão, apoiado na cama e com o teclado sobre as coxas. Aliás, meu
I-Mac é verde, como o glorioso. Êta bichinho bacana, sô.

* Não temos uma sala ainda. Tudo que existe lá é um televisor,
devidamente instalado no chão. Já temos um móvel para ele - compramos
por $ 17.00 no K-Mart -, mas ele continua desmontado. Tudo aqui
precisa ser montado. Compramos uma mesa com cadeiras para a cozinha
(aliás, uma das cadeiras do jogo é esta que suporta o I-Mac) e ficamos
até 1 e pouco da manhã para montá-la.

* No primeiro dia dormimos no chão, porque não conseguimos achar
nenhum lugar que entregasse um par de colchões no mesmo dia.

* Ei, anote nosso telefone e ligue se der vontade. Para chamar do
Brasil disque 001-404-603-5297. É fácil decorar: basta saber que 001 é
o código dos EUA, 404 é o de Atlanta e que 603 bombardeiros B-52 foram
vistos em 97. Easy, huh?

* O aeroporto de Atlanta acaba de se transformar no mais movimentado
do mundo em número de passageiros. Em número de pousos e decolagens,
no entanto, o O'Hare de Chicago continua na frente.

* Quem tem alergia (como eu, por exemplo) não deve nem chegar perto de
Atlanta nesta época. Ontem foi batido o recorde histórico da cidade em
quantidade de pólem em suspensão. É incrível. Os carros ficam verdes
de tanto pólem no ar. Nos primeiros dias minha cabeça parecia que ia
explodir, depois achei um remédio contra hay-fever e ficou tudo bem.

* Existem outros 4 brasileiros no Portfolio Center. Uma carioca, um
mineiro, uma paulista e um outro, que ainda não conheci. Eles cursam,
respectivamente, design, art direction, copywriting e design again.

* Vi dois campos de futebol num parque perto de onde moro. Se der
tempo neste fim de semana vou dar um pulo lá. Se der tempo.

* A melhor experiência até agora tem sido conhecer pessoas diferentes,
de várias partes dos EUA e do mundo, sem falar nos aliens. Descobri,
por exemplo, que na Índia eles constroem casas com estrume de vaca.
Bom, pelo menos ela deve boiar nas enchentes...

* Antes que a Mônica reclame (minha professora de inglês - aliás, se
vc quer aprender inglês, fale com ela na "One Language Center", o
pessoal lá é 100%), estou falando inglês o tempo inteiro, inclusive
com o Ricardo. Só não falo quando ligo para o Brasil e qdo. escrevo
e-mails.

* Era para ser um resumo. Se não fosse pela dor na bunda e o fato de
ainda não ter jantado, escreveria um pouco mais.

Um grande abraço a todos. Se vcs não quiserem mais receber notícias de
Atlanta ou minhas, sei lá, snif, diga qualquer coisa. Se alguém tiver
o e-mail do Andre Fanaya, por favor me passe.

***
Atlanta, 4-8-99 (por que diabos eles colocam o mês antes do dia?)
:) Ricardo.


Alive in Atlanta #3

Special Weekend Edition

* Na sexta passada tivemos uma palestra com Steve Simpson, um dos diretores de criação da “Goodby, Silverstein & Partners.” Além dos ótimos comerciais que já conhecemos - como aquele do sujeito que perde a chance de ganhar sei-lá-quantos mil dólares quando não consegue responder a questão por estar com a boca cheia de bolacha e o leite acabou, GOT MILK? - vimos também uma porção de desastres, com produções caríssimas que não resultaram em nada. Na verdade, o tema da palestra era “The best and the worst of Goodby, Silverstein.” Perfeito para mostrar quem nem mesmo uma das mais conceituadas agências do mundo acerta sempre. Ela erra; e como erra.

* Nesta última quinta, a palestra foi com o designer Eric Blake, de New York. Ele mostrou uma vasta coleção de referências (para buscar inspiração) e alguns exemplos dos trabalhos da firma dele. A palestra foi excelente, o cara era engraçado e, definitivamente, igual ao Jack Nicholson. O inglês dele também era muito parecido com aquele que eu aprendi, hehe.

* Ele mostrou, aliás, uma fita com comerciais de gozação. Tinha um de uma armadilha para baratas que era o máximo. Usava computação para mostrar o que acontecia com a barata uma vez dentro da armadilha, hehe. Ela entrava, atraída por um “aroma que passa a idéia de segurança e conforto”, e ficava grudada como que num daqueles papéis papa-moscas. A cara de “putz, me enganaram” que a barata fazia era hilariante. Aí vinham braços mecânicos e arrancavam as pernas da barata. Depois os mesmos braços usavam as próprias pernas da barata para bater na coitadinha. Daí, novos braços mecânicos enfiavam uma espécie de esponja na boca e no fiofó da barata. Um terceiro braço ficava exibindo um pedaço de comida para a barata, numa espécie de tortura. Mas o melhor de tudo é que a armadilha tinha uma janelinha, através da qual a família podia acompanhar o funcionamento da mesma. Hehe, extremamente convincente.

* Bom, tem sempre alguma coisa acontecendo por aqui. Depois do resgate do negão vem o tiroteio na escola de Littleton. E daí aparece o Clinton na televisão dizendo que os pais tem que mostrar ao filhos que violência não leva a nada. Difícil é ser convincente ao pregar a não-violência ao mesmo tempo em que bombardeia a Iuguslávia e mata uma porrada de gente por lá. Pior é bombardear a casa do Slobodan com três bombas a laser e negar que tivessem a intenção de matá-lo, hehe. Daqui a pouco ele aparece na televisão falando da importância da fidelidade conjugal.

* EU QUERO JOGAR FUTEBOL!

* EU QUERO BIFE COM CEBOLA E FEIJÃO COM ARROZ!

* Mas se tem uma coisa que eu não tenho saudades do Brasil é a capa da Veja. Tem sempre algum sacana que desviou dinheiro, vazou informação, deu o golpe, matou não sei quem. E por falar nisso, você sabe quem matou a mulher do PC Farias?

* Eu preciso achar uma foto de uma bomba-relógio na Internet mas estou com medo. Com tanta repercussão e com tanta bomba estourando por aqui, dá a impressão que em menos de 5 minutos a Swatt, o FBI , 435 carros da polícia, 3 helicópteros, 15 cadeias de televisão e a Mônica Lewinski (?) estarão aqui para me pegar. Não, tudo menos a Mônica Lewinski! . . . Ei, se bem que ela com um relógio no pulso...

* Cookie’s Fortune, com direção do Robert Altman, foi o filme do último domingo. A Glenn Close está igualzinha à Perpétua, da Tieta. Toda religiosa e toda diabólica. A Liv Tyler faz o papel de uma menina desajustada e o Chris O’Donnel de “santo policial abobado, Batman.”

* Vi também “Private Parts” (na HBO), que conta a história do Howard Stern, um radialista que revoluciona a forma de fazer rádio. O riso é garantido.
* Soube que hoje Vênus iria se aproximar da Lua. Olhei para o céu e a Lua estava sozinha, desacompanhada, com um brilho meio nebuloso. Será que Vênus não compareceu?

* Fim de semana passado foi o chamado “Freaknic” (ou Freaknick, whatever) aqui em Atlanta. Os negros das universidades de vários estados aproveitam o recesso das mesmas e vêm para cá fazer bagunça. A polícia fica neurótica e os Atlânticos ou recolhem-se ou viajam antes do fim de semana. Vi cada carro maluco, tinindo, rôxo com rodas douradas e o som no último volume. O que eles vêm fazer em Atlanta eu não sei, eu iria para a praia. Mas, como diz o Neg, “é programa de azul marinho.” Na verdade Atlanta é a terra do Martin Luther King, literalmente traduzido como o “Rei do Marketing Luterano.” (<-- vc não precisa acreditar nisso, tá?)

É isso aí. Mais e maiores novidades na próxima edição.
Be good. If you can’t be good be bad ;)

Ricardo.

Alive in Atlanta #4

Welcome to the 4th edition of Alive in Atlanta. Take your time, relax and don’t worry because this is the portuguese version.

* Primeiro foi o pólem verde, que deixou carros, janelas, narizes e ruas cobertos por uma incrível película verde. Desta vez a invasão é de pequenas penugens brancas que, apesar do Sol, fazem lembrar floquinhos de neve bailando graciosamente para cima e para baixo, para o desespero dos a-aa-aaa-lérgicos! Saúde.

* A palestra desta semana foi com um diretor de filmes publicitários. Ele era um artista plástico que sonhava em morar nas montanhas, perto de um lago e sem ninguém por perto para incomodar (ele detestava quando alguém interferia no seu trabalho). Creio que ele explicou como acabou virando um diretor, mas não me lembro direito. Ele fez a direção de fotografia (ou alguma coisa parecida) de “Armaggedon” e de um outro blockbuster famoso, talvez “A família Adams”. O ponto alto foi a apresentação do making-off de um filme para as bolas de golfe Slazenger, rodado na Irlanda. O campo ficava à beira do mar e ventava pacas. Os efeitos realizados diretamente no filme ficaram muito legais. Não me pergunte quais foram os efeitos porque nem ele conseguiu explicar direito.

* Uma coisa bacana que esqueci de falar aqui é sobre os esquilos. Eles vivem pulando de um lado para o outro, de árvore em árvore, e quando você chega perto eles ficam imóveis, olhando para você e torcendo para que você não esteja olhando para eles. Como diria o Leitoso, são mesmo uns “serelepes”. Esquilo, em inglês, é “squirrel,” que pronuncia-se [SKWUR el]. Tico e Teco aqui são chamados de “Chip and Dale”.

* A quantidade de comerciais na televisão é assustadora. Estou começando a detestar a publicidade deles, e olha que a gente quase não vê televisão. O pior é que a coisa é tão exagerada que não dá para acreditar num pingo do que eles falam. Sempre tem aquelas letrinhas ilegíveis no fim do comercial. Ou seja, nada do que eles dizem é exatamente como eles dizem. Vamos falar a verdade por aí, ok? Vale a pena.

* Existe também uma quantidade absurda de “junk-mail,” que chega tanto pelo e-mail como pelo correio normal. Vem de tudo, de passagens grátis para a Flórida (contanto que você preencha uma porrada de requisitos e pague mais alguma coisa), propaganda de cortadores de grama, seguro de saúde para idosos, pizza delivery, tablóides de ofertas, garage sales, convite para a associação dos jardineiros, e por aí vai.

* Num “assignment” recente, tivemos que escrever sobre a influência do capitalismo na individualidade das pessoas. Inspirado na “Mechanical Bride,” de Marshal McLuhan, eu associei o Ibope elevado dos peitos gigantes aqui nos EUA à popularidade das cirurgias para implante de silicone. Queira ou não, para modetes da Playboy, por exemplo, ter um peito grande (ou dois) é tão importante como vestir um “Gucci” ou um “Vallentino” ou ainda um “Popoviski”. O mercado impõe um padrão e elas acatam. A comparação mereceu elogios da professora, que por sinal não tinha muito peito, hehe. Em breve colocaremos esses trabalhos em nossa página na Internet, que ainda não existe.

* Depois de 1 mês em Atlanta, resolvemos sair à noite ontem. Como ainda não temos carro, convidamos um diretor de arte a nos dar carona para qualquer lugar. Queríamos apenas tomar uma cervejinha, descontrair, algo assim. Ele passou aqui perto da meia-noite, com alguns “amigos”. Sentiu o “amigos” entre aspas? Pois é... A gente só foi desconfiar da furada quando chegamos no lugar. Pra começar, o caixa era um negão com trancinhas e um crachá com o nome “Lisa”. Drag Queens faziam parte da fila, juntamente com lésbicos malhados - sendo malhados - e mulheres acompanhadas por mulheres. Hmmm... “First I was afraid, now I’m petrified...”

* Lá dentro havia os tipos mais esquisitos. Havia uma pista de dança, mesas de snooker, fliperama, aquelas casinhas para tirar fotografia, máquinas de vender cigarro, lojinhas de bijouterias gays, banheiros unisex. Havia também um palco para os shows das drag-queens, que eram hilariantes. Homens e mulheres faziam fila para colocar um dólar no sutiã da estrela, sendo algumas vezes recompensados com um carinho no rosto. Hehehehe, fazia tempo que eu não ria tanto. Na platéia, contrariando o sábio conselho do Tim Mais, só homens com homens e mulheres com mulheres. Estávamos tão longe da nossa zona de conforto, mas tão longe, que resolvi entrar na brincadeira. Não pense besteira. Eu só fui lá colocar um dólar no sutiã da drag-queen, hahahaha, que estava muito mais para drag do que para queen. Parecia o Obelix de cinta-liga!

* O Ricardinho, ao adentrar o banheiro, deparou-se com um bonito torso em posição de mijo. Sem se dar conta de que mulher raramente faz xixi de pé, Ricardo visualizou um perfil feminino com um perfeito traseiro desnudo, até que notou um pequeno Mr. Mojo pendurado na região púbica. Aí ele entendeu o que aquela “mulher” fazia no banheiro dos homens.

* Mas a grande piada da noite leva o nome de “Carlos”. A gente estava na pista de dança, com o diretor de arte e o amiguinho dele, quando um baixinho me cutuca. Eu fui ouvir o que ele queria e ele me disse: “Ihihihih. I liked your friend!” Ele tinha gostado do Ricardinho, hahahaha! O nanico parecia o “Tatu” da Ilha da Fantasia, e se apaixonou pelo Ricardinho!! Hahaha! O Kadota teria avacalhado com o nosso amigo, mas eu preferi não arriscar. Foi extremamente difícil conter a gargalhada, as lágrimas pulavam dos meus olhos, mas acho que consegui parecer sério para não ferir os sentimentos do nanico Carlos. Eu falei que o Ricardo era “Straight”, ou seja, que ele gostava de mulher, mas o nanico insistiu: “Introduce him to me, ihihih.” Bom, encurtando a história, eu encerrei o papo dizendo que o Ricardo tinha deixado a noiva dele no Brasil. Acho que o tatu entendeu.

*** That’s all for today, folks! If you don’t want this junk-mail in your e-mail every week, let me know, ok? I’ll ask Carlos to give you a call.

(Alguém sabe o e-mail do Nery e do Diego?)

Alive in Atlanta #5

Happy Mother’s Day! Oh, aren’t you a mother yet? No problem. Here are some dazzling news that just popped out of the microwave. It’s hot! It’s spicy! It’s Alive in Atlanta #5.

* An octagon (eight-sided edge) always means stop. Ops, esta é a versão em português. Um triângulo significa yield. Que diabos significa yield? Conceda, ceda, dê lugar ou preferência. Se eu reprovar no teste de habilitação amanhã a culpa vai ser do AA. Uma flecha para a direita numa placa amarela significa “cuidado, curva à direita.” Hmmm, isso vai ser difícil de decorar...

* A palestra da semana foi com o Robert Valentine, um designer fru-fru de Nova Iorque. Ele trabalhou um tempo em Londres (para a Bloomingdales) e agora tem entre seus clientes o Moma (Museum of Modern Art - NY) e, tadinho, a Cindy Crawford. Mas ela não core perigo. O background do tatu era dirigido, digamos, a outros interesses...

* Fomos no sábado (ontem) visitar uma lojinha de produtos brasileiros. A lojinha era totalmente pirata, mas tinha Bom Bril, guaraná Antarctica, fitas do Sílvio Santos, novelas, gravações do Fantástico, pão de queijo, coxinha, leite de rosas, Matte Leão e por aí afora.

* A coxinha estava uma delícia! Comi duas e ainda não passei mal. O mais engraçado foi ver brasileiros chegando lá e trocando fitas do Fantástico. Uma mulher falou para o seu Eurípedes, que era o dono do boteco: “Seu Eurípedes, não dá para o senhor me colocar no início da lista. Estou pegando os Fantásticos muito atrasados.” A gente deu muitas risadas. AH! Encontrei lá um louco vestindo uma camisa que era metade do Botafogo e metade do Coxa! Que viagem!

* Por falar nisso, acabei de ver o Clinton na televisão explicando que é um absurdo o Paraná ter derrotado o Coxa por 6 a 2. Ele falou que não pode admitir que uma barbárie dessas ocorra sem mais nem menos. Para tanto, já ordenou ao Pentágono que bombardeie a Vila Olímpica do Boqueirão e evite novos massacres!

* Amanhã tem desconto de 35% num supermercado que vai fechar. Vamos lá conferir e dar uma de formiguinha de final de feira. O que der para carregar a gente vai levar para casa.

* Acordei na sexta-feira com granizo do tamanho de naftalinas gigantes (que tamanho tem uma naftalina gigante?) batendo na parede do meu quarto. Foi uma chuva de 1 minuto, suficiente para vandalizar algumas partes de Atlanta (nada de mais, na verdade). O granizo era parte da mesma massa de ar que formou aquele furacão que varreu um pedaço de Oklahoma.

* Na sexta-feira à noite a gente saiu sem saber que, das 5 da tarde às 9 da noite, a cidade estava em “Tornado Watch,” ou seja, reunia as condições atmosféricas e pseudópodicas para a formação de tornados. Assim que um tornado fosse visto, a situação mudaria para “Tornado Warning.” Algumas pessoas alegaram ter visto nuvens em forma de funil. Pergunta do dia: se não fossem elas teriam caído icebergs ao invés de meras pedrinhas de gelo?
* Sorte que a nossa casa é bem forte. Esses dias, sem querer, o telefone voou da minha mão e foi de encontro à parede. Pow! O telefone ficou intacto, legal, e a parede, xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.

*** That’s all for today, folks. Have a nice week.

:)
Ricardo.

Alive in Atlanta #6

>> Yes, you’re right, this edition is late. And, by the way, this is the portuguese edition, so [change language]. Recebi alguns e-mails de leitores preocupados com o atraso do Alive in Atlanta desta semana. Veja alguns comentários já traduzidos:

“Porra! Eu não posso começar a semana sem o Alive in Atlanta! É a minha fonte de inspiração!” (N. Guanaes)

“O quê? O Alive atrasou? Destruam a Iuguslávia!” (B. Clinton)

“Pelo jeito eu estou mais vivo do que o Alive, hein?” (E. Presley)

“Ricardo, tudo bem com você?” (C. Crawford)

* Na verdade, o maior culpado pelo atraso do Alive é o Monet. Fomos ontem no fim da tarde visitar a exposição “Impressionistas,” no High Museum aqui de Atlanta. Estavam lá o Van Gogh, o Monet, o Bazille, o Renoir, o Gauguin, o Cézzanne, etc. Compramos os ingressos por telefone, com uma semana de antecedência. Como numa peça de teatro, tínhamos dia e horário marcados para estar lá. Chegamos às 6h30 e saímos às 9h.

* Por falar em impressionismo, na semana passada fizemos um verdadeiro formicídio aqui no apartamento. Eu nem dava bola quando via uma inocente formiguinha andando pela cozinha. Mas elas começaram a se multiplicar. Eu estava esmagando uma a uma quando, de repente, um cardume de formigas surgiu por debaixo da geladeira. Ahhhh! Não tínhamos inseticida e começamos a sapatear pela cozinha, mas a alcatéia parecia aumentar a cada segundo. O Ricardinho, então, pegou um limpa-vidros e começou a tacar no enxame. Removemos a geladeira e vimos uma esquadrilha de soldados atiçados, correndo de um lado para o outro. Psssshhhh! Tacamos o limpa-vidros e suicidamos a colméia inteira! Nunca mais vamos comprar inseticida.

* Continuamos sem móveis na sala e sem mesas nem cadeiras nos quartos. Escrevemos sentados no chão. A boa notícia é que compramos dois sofás (um grandão e um grandinho) por apenas 80 dólares. A má notícia é que não temos como trazê-los para cá. A notícia razoável é que podemos alugar um caminhãozinho da U-haul por apenas 19,95 dólares por dia (mais milhagem) e fazer toda a mudança.

* Os bares aqui em Atlanta fecham às 3 da manhã. A maioria conta com um policial na porta. Eles sempre pedem uma identidade válida para permitir o acesso (vc precisa ter mais de 21 anos para entrar). A carteira internacional do estudante (STB) não é aceita em alguns bares.

* Os policiais daqui, aliás, são meio truculentos. No sábado vimos uma menina sendo presa no meio da rua. Ela derrubada, colocada de bruços no chão e algemada por um desses “officers,” que delicadamente colocou o joelho nas costas dela para conseguir fechar as algemas. Nisso um negão parecido com o Rudd Gullit virou-se para mim e comentou: “Tá vendo como esses caras agem? Se eles fazem isso com uma mulher branca na frente de todo mundo, imagine o que eles não fazem com os negros?” Aí eu respondi: “Eles fazem carinhos e depois cortam a tua sobrancelha.” Hehe.

* Ainda falando em bares, uma cerveja aqui sai entre 3,50 e 5 dólares. Melhor comprar no supermercado e tomar em casa. Quanto ao “drink and drive,” se te pegarem dirigindo embriagado, vc vai pra cadeia, sem escalas. Para evitar isso, alguns bêbados responsáveis deixam o carro no estacionamento perto do bar e voltam de taxi. Outros fazem o rodízio do “designated driver,” em que o motorista da vez não pode beber. Outros ainda alugam aquelas limousines monstruosas e saem em bando para encher a cara, hic. Resumindo, o Uca é um bom companheirooooo...

* Lido na parte de trás da jaqueta de um motoqueiro: “Se você pode ler isto, minha namorada caiu da moto.”

*** That’s it, folks! Agarrem-se bem e boa semana!

;)
Ricardo.

Alive in Atlanta #7

Oh, yes, there you are, wearing your faded-blue pajamas, ready to let another astonishing edition of Alive in Atlanta get through your soul. May the Force be with you!

* Filas quilométricas, cinemas abertos 24 horas, frenesi, hype, ingressos vendidos a peso de ouro. Nunca vi tanta badalação em torno de um filme. Fizeram tanta onda que tinha gente pagando 300 dólares por um ingresso para o primeiro dia de exibição do STAR WARS’ EPISODE I - THE PHANTOM MENACE. Eu estava conformado com a idéia de assistir ao filme lá pela terceira semana, mas ouvi uns colegas falando que iriam na estréia e, dando uma de louco, perguntei se tinham um ingresso sobrando. Hoho, eles não só tinham um sobrando como acabaram conseguindo mais um para o Ricardo. Chato, hein?

* A sessão seria às 11 da noite. O Marc e o Brooks (dois redatores) passaram aqui e nos levaram para a casa do Michael (outro redator), onde mais umas 8 ou 9 pessoas já estavam reunidas, tomando cerveja e vendo o primeiro filme da série Star Wars. De lá fomos em caravana para o cinema, onde encontramos fãs com espadas-laser, camisetas, brinquedinhos e outras baboseiras mais. Todos estavam excitados com a experiência. Dentro do cinema, quando começou a musiquinha do Star Wars (tan, taan, tan-tan-taan-tan, tan-tan-tan-taan-tan, tan-tan-tan-tannnnn) e aquele letreiro em perspectiva sumindo no espaço, o alvoroço foi geral. Assobios, aplausos, gritinhos histéricos, olhos sem piscar e dedos melecados com pipoca amanteigada (os meus, pelo menos).

* Na primeira cena, Qui-Gon Jinn Liam Neeson “Shindler” tira todos os droids de sua listinha, com a ajuda do aprendiz de Jedi, Obi-Wan-Kenobi. Os efeitos especiais são fantásticos. A seqüência submarina é muito legal, mas lembre-se de que sempre existe um peixe maior. O Yoda está mais jovem, mais verdinho e mais vesgo. A princesa de Naboo é uma princesa. O vendedor de peças de Tatooine é um nojentão e, para mim, o personagem mais marcante do filme. Quem? O Darth Maul? O cara que deveria ser o símbolo deste filme? Sinceramente? Bom, deixa pra lá. O ponto alto do filme é, sem dúvida, a corrida de Pod em Tatooine. É o único trecho que te deixa mais acordado, que chega a te envolver um pouquinho. O resto, infelizmente, é uma maravilha tecnológica estéril, desprovida de emoção. Não tem um pingo de sangue no filme! Podiam jogar um Alien lá para ver no que que dava. As lutas com as espadas-laser são coreografias bem-ensaiadas. Não existe aquela coisa de “Ugh, eu preciso matar esse cara senão mifu!”

* Resumindo: Efeitos especiais, 10. Emoção, 1 e caindo. Humor: risível. Agora, me diga, você vai aceitar a minha crítica? Duvido. Vá ver que vale a pena. Depois vc me diz se não ficou sem palavras na hora de comentar o filme. “É... gostei.” Em tempo, a direção do filme é de 20 anos atrás.

* Da espada-laser ao esporte e lazer. Na sexta fomos a um jogo de baseball. Já imaginou ficar 3 horas vendo um bando de neguinho jogar bete-ombro? Nem pensar? Acredite, é muito divertido. O Atlanta Braves perdeu para o Chicago Cubs por 8 a 4. Para quem está acostumado com jogos de futebol, o engraçado é que não existe separação de torcidas. Nos intervalos de cada inning (são 9 ao todo), as pessoas ficam fazendo gracinhas para aparecer no telão. No fim do sétimo inning todo mundo se levanta para cantar uma tradicional música do baseball. Entre as jogadas, o telão fica incentivando a torcida a bater palmas e a cantar “Go Braves, go!” A quantidade de informações que vc tem dentro do estádio é impressionante. Vai desde a previsão do tempo até os resultados parciais de todos os jogos da rodada, passando pelo histórico dos jogadores, recordes, charadas e muito mais.

* Ontem (sábado), alugamos uma pick-up e finalmente pegamos os nossos sofás. O problema é que eles estavam no segundo andar, e o maior deles não passava pela escada. Então o Kiko (o redator brasileiro que nos vendeu os sofás e está indo agora em junho para a Y&R - NY) desmontou a porta da cozinha para que pudéssemos tirar os sofás pelo terraço. Eu, embaixo, sozinho na caçamba da caminhonete, tentando segurar o sofá que os dois iam “jogar” do segundo andar, hehe. Bom, nada de grave aconteceu com o sofá.

* Iremos ao Brasil em junho! Chegaremos no dia 12 (se a Vasp não falir antes) e voltaremos para cá no dia 29. Alguém aí falou em futebol?

*** That’s all, folk! Se você não quer mais receber isto, fale com o Clinton. Aliás, os americanos aqui estão ficando loucos. Depois de muito esforço e ajuda psquiátrica eles conseguiram fazer com que o tarado do presidente parasse de atacar com o pinto. O problema agora é que ele não quer parar de atacar Kosovo. Ugh!

Tchau, boa semana :)
Ricardo.

Alive in Atlanta #8

>> Edição especial "Se o meu fusca falasse".

* Na quinta tivemos uma palestra com o John Wheist (ou algo parecido), redator da agência ARNOLD, de Boston, e ex-aluno do PortfolioCenter. Há três anos ele vem trabalhando direto com a conta da Volkswagen. Wheist falou sobre estratégias e mostrou filmes, anúncios e outdoors para vários carros da marca, com atenção especial para o novo Beetle (Fusca). A maioria dos comerciais são despojados, engraçados, simples. A escolha da música é minuciosa. O casting é sempre perfeito.

* Um comercial mostra um casal num novo Passat. Ela coloca uma fita para tocar e tudo começa a funcionar no mesmo ritmo. O limpador de pára-brisas funciona como um metrônomo (ou compasso), marcando o passo das pessoas na rua, dos trabalhadores que descarregam um caminhão, do sinal de pedestres, do pisca-pisca e assim por diante. O carro anda meio que em câmera-lenta. Ao final, o rapaz fala para a moça: vamos fazer de novo? Muito bom. Dá vontade de ficar vendo.

* Outro é hilariante, para o Golf. A música é “Da, da, da,” e a ação toda se desenrola sem uma linha de texto sequer. Ele mostrou duas versões: uma com atores desconhecidos, outra com personalidades como o Bill Gates, o Jay Leno, o Michael J. Fox... O tagline era algo como “In the world there are passengers, and there are drivers. Volkswagen. Drivers Wanted.”

* Uma série institucional lançou o conceito de “Drivers Wanted.” Num comercial, por exemplo, um sujeito está numa festa, servindo-se no buffet. Ele chega numa coxa de galinha, mergulha-a no purê de batatas, olha para os dois lados e começa a manuseá-la como se estivesse trocando marchas, fazendo barulho com a boca. VW. Drivers Wanted.”

* Outro comercial mostra um sujeito no escritório, trabalhando em frente ao computador, estressado. Ele olha para os lados e começa a empurrar a mesa até encostar na janela do prédio. O som de carros passando lá embaixo pode ser ouvido com mais nitidez. Aí ele coloca o braço esquerdo para fora, como se estivesse dirigindo e faz uma cara de feliz. VW. Drivers Wanted.”

* O Beetle faz o maior sucesso por aqui, apesar de ser um carro caro. Custa mais de 18 mil dólares. Para vc ter uma idéia, um BMW Z3 ou um Porsche Boxter custa cerca de 30 mil dólares. Como não é uma compra racional, pois o carro é pequeno, a estratégia foi apelar para a emoção. Um dos títulos dos anúncios é o seguinte: "Se você vendeu a sua alma nos anos 80, eis a chance de comprá-la de volta."

* Fomos no sábado ao Fox Theater assistir STOMP. O show foi uma incrível demonstração de criatividade, casando coreografia diversas com sons tirados de objetos inimagináveis. Vassouras, latas de lixo, tubos de plástico, pias de aço, sacos de plástico, folhas de jornal, e por aí vai. Uma cena aconteceu totalmente no escuro. O ruído típico de um isqueiro Zippo sendo aberto. Uma faísca, uma chama que logo se apaga. Escuridão. Uma chama, duas, três, apaga aqui, acende ali e tem-se uma sinfonia de isqueiros acompanhada por uma coreografia de chamas. Meu amigo Neg diria: “olha, ‘lemão, de babar...”

* Quem ainda não viu “Stomp out loud,” satoru, kagaro e sugiro que pegue no vídeo. Um dos integrantes do grupo era brasileiro, com passagens pela Timbalada, sei-lá-o-quê do Pelô e Chiclete com Banana, e matava a pau.

* Amanhã é feriado por aqui. Memorial Day. Dia nacional do picnic, do churrasco no parque e das liquidações oportunistas. O jornal hoje pesava mais de sei-lá-quantos pounds (vc não imagina o quanto a gente sofre com as medidas por aqui). A propósito, tenho 5-11 sei-lá-o-quês de altura e 155 sei-lá-o-quês de peso. Não sei se cresci, decresci, engordei ou emagreci.

* ALIVE IN INTERNET. Nossa página ainda está crua. Ainda não temos fotos daqui nem nossos roughs ali, mas aviso assim que tivermos. De qualquer forma, aí vai o endereço: www.mindspring.com/~ricardoss.

* If you didn't want to receive this edition, you may not be a driver.

*** That’s all, folks. Rév-a-naissuan,
:)
Ricardo.


Alive in Atlanta # 9 - Edição Especial de Aniversário

Oh, yes, baby. Alive in Atlanta is back. Now fasten your seat belt, take off your shoes, and please, don’t smoke in the toilets. We’ve got smoke enough flying out from this boiling news:

* Esta gloriosa edição de número 9 é totalmente dedicada ao glorioso campeão de 99.

* Quinta foi dia de palestra. Ótima e divertida palestra, aliás, com Nick Cohen -- o Englishman da Mad Dogs & Englishmen, de Nova Iorque. Sandálias nos pés, calça jeans amarrotada, cara e jeito de integrante do Monty Pyton, Cohen mostrou uma pesquisa realizada há alguns anos pelo Instituto Gallup para detectar o nível ético percebido pela população no que se referia aos diversos tipos de profissionais. Os publicitários (com 7 pontos) ficaram na penúltima colocação, entre vendedores de seguro (10 pts) e vendedores de carro (6 pts).

* Após esta constatação, ele passou a mostrar os diferentes “approaches” publicitários. O do medo, o da desvalorização do consumidor, o honesto, o muito honesto, o equilibrado, o simpático e o bobinho. Cada um deles devidamente ilustrado com comerciais e/ou anúncios. O approach muito honesto, por exemplo, foi ilustrado com um anúncio para uma entidade que visava angariar fundos para proteger os pássaros (quem, em sã consciência, iria parar para ler um anúncio de uma entidade dessas?). O título dizia: “Salve os pássaros”, com um adendo entre parênteses “(você não pode pessoalmente fazer titica no novo Lexus do seu vizinho)”.

* A entidade protetora dos pássaros foi apenas um dos clientes perdidos. A maioria dos clientes da Mad Dog & Englishmen é formada ou por clientes extremamente jovens e milionários, como a geração emergente de computer geeks, ou por clientes desesperados, que não têm muito dinheiro e precisam radicalizar um pouco para reaparecer no mercado.

* Ele disse que o ambiente na agência é aberto, sem paredes (ele queria evitar que o pessoal fizesse complô contra ele, sem que ele soubesse), com cachorros latindo e fazendo porcaria por todo lado. Blargh!

* Outro anúncio quase honesto foi para um cinema de Los Angeles, durante uma onda de calor infernal. Ao invés de falar sobre o filme, o cartaz dizia: “2 horas de ar condicionado por apenas 7 dólares”. O dono do cinema adorou a idéia, mas disse que não havia ar condicionado no recinto. A agência, então, sugeriu que ele comprasse blocos enormes de gelo e pusesse na frente dos ventiladores. Foi o que o cliente fez.

* Fomos ver “Big Daddy”, a história de um cara folgadão que, para não perder a namorada peituda por falta de ter o que fazer, resolve adotar uma criança, que na verdade é o filho do seu companheiro de quarto, que viaja para a China sem saber que era pai. A história se passa em Nova Iorque e, apesar de contar com uma boa dose de humor americano, é extremamente engraçada. Vale a pena conferir. O título aí no Brasil deve ser alguma coisa do tipo “Um Pai Nada Exemplar”, ou “Paizão Legalzão”, ou ainda “Papai faz Pipi no Poste”.

* Também fomos ver “Coronel’s Daughter”, com o John Travolta e a filha do coronel, que vira uma rebelde sem calça após ver que seu pai não tá nem aí pra ela. Como o coronel não lhe dá bola, ela parte pra cima do pelotão inteiro, hehe. Mas melhor mesmo é vc não dar muita bola para este filme, que é bem bobão, além de repetitivo e bem bobão.

* Por falar em bobagens, você sabia que se todos os cachorros quentes consumidos pelos americanos em 1 ano fossem enfileirados, poderia ser feita uma "ponte" que daria duas vezes a distância da Terra à Lua?

* O Manuel não sabia, mas ficou feliz porque assim ele pode ir para Lua e voltar para Portugal. O problema é que ele vai perder o lugar.

* Se você mora em Curitiba, experimente a Churrascaria Cacique para provar o melhor churrasco da cidade. Fale com o Escarante e diga que foi o Xarape que recomendou. O Cacique fica na Atílio Bório, 547, entre a Souza Naves e a Reinaldino Quadros.

* A águia-símbolo dos EUA - the American bald eagle - saiu da lista de espécies ameaçadas de extinção. Apareceu o Clinton na televisão dando entrevista ao lado do bichinho. Engraçado é que, desta vez, ele nem arriscou colocar a minhoca para fora.

* Fomos nas comemorações de 4 de julho. Se a Sony tivesse me mandado o cabo que encomendei há quase 3 meses, vc poderia estar apreciando um pouco dos fogos de artifício da festa. Fogos, aliás, que são proibidos para venda ao público aqui na Geórgia. Hipocresia, pow, pá, pum!

* Esta é uma edição de aniversário porque foi escrita na madrugada de 12 de julho de 1999. Bom que agora eu vou dormir e, quando acordar, ainda vou ter motivos para comemorar.

Grande abraço e uma ótima semana,
:) Ricardo.

### ifiudontuandischitgoinguiqlytuiormeil,plisletminow,ouquei? ###

Alive in Atlanta #10

### Okay, here we go again. “This is 10,” coming to you as wacky and uninspired as the Kaiser campaign.

* Por falar nisso, soube do novo comercial da Kaiser, com o baixinho. Apesar de o terem ressuscitado, continuo achando o conceito da campanha um desastre. Aliás, pensando bem, a única coisa boa que vi saindo da NewcommBates foi a mulher do chefe, hehe.

* Por falar na Galisteu, saber de Fórmula-1 por aqui é mais difícil do que agüentar os merduíches do MacDonalds. Eles passam corrida de lambreta na neve, corrida de picape-monstro na lama, corrida de cachorrinho de madame, corrida de velocípede, pula-pula, bate-bate, garçom com bandeja, espermatozóide manco e por aí afora. Fórmula-1, que é bom, nada.

* Com futebol é a mesma coisa. Você vê de tudo, menos futebol. Tem baseball, softball, basketball, tennisball, mongoball, football (por que football?), golfball e outros menos cotados. E eles só não dão bola para o futebol por um simples motivo: eles não são competitivos! A mesma coisa vale para a Fórmula-1. Se o Schumacher fosse estado-unidense, a Fórmula-1 seria uma febre por aqui.

* O problema é que os americanos não suportam a idéia de não serem competitivos em algum esporte. Aí eles inventam uma porrada de bobagens e não mostram o que realmente vale a pena. Durante a Copa do Mundo de futebol feminino, a empolgação foi total. Se fosse campeonato mundial de bolinha de gude verde, por exemplo, seria a mesma coisa, contanto que houvesse um representante capaz de papar o título.

* Tivemos que acompanhar o andamento da Copa América por Internet. Uma empresa aqui até estava anunciando os jogos por pay-per-view, mas eles não passaram a final, pode? Ouvimos o jogo pela Rádio Globo de São Paulo, através do Real Audio. Como os gols não vão passar por aqui, vamos ter que vê-los pela Internet também.

* CDs a um dólar! Ontem, numa loja de cds (antiga Blockbuster Music) aqui perto de casa, havia caixas e mais caixas de cds, fitas, livros, acessórios e demais bugigangas a preços de bugigangas. Com apenas um dólar você podia comprar ou um CD, ou dez fitas-cassete, ou dez livros (fiquei até com medo de arriscar), ou um porta-cds, além de camisetas. Toucas de lã e bonés custavam o dobro. Comprei 13 cds (Mozart, Beethoven, Jimmy Page, Whitesnake, Tchaikovksy, Vivaldi, etc), 10 fitas, dois porta-cds e uma touca de lã, para quando o inverno chegar. Gastei 19 dólares.

* O Ricardinho comprou uns 20 cds. A viagem foi tanta que chegou no espaço. Compramos dois CDs com sons captados pela Voyager, em sua viagem de 5 bilhões de milhas até os limites do nosso sistema solar. As faixas são assim: “A complexa interação do plasma cósmico do universo”; “partículas eletromagnéticas do vento solar carregadas”; “a magnetosfera planetária”; “vibrações dos anéis e luas” (que mais parecem vozes ecoantes do calabouço espacial).

* “Ei, mas o som não se propaga no vácuo!” Verdade. Bem que eu desconfiei que havia algo errado quando vi que NASA estava escrito com Z. Hehe.

* Para terminar... Se você não torce pro Coxa, não consegue pronunciar “três tigres, três tigres, três tigres” rapidamente e sem tocrar as lretas, e não considera geniais as notícias do Alive, não desanime... Einstein nunca foi um bom aluno, e nem sequer falava direito aos 9 anos. Seus pais achavam que ele também era retardado.

### Não quer mais? Então mande um e-mail com o título “Não sou que nem que o Einstein”. No corpo da mensagem, faça umas carícias e escreva o logaritmo da raiz elipsoidal de cinquenta e um na base senóide da tangente no banheiro.

That’s all, folks. Have a nice one ;)
Ricardo.



Alive in Atlanta #11

>>> This Alive is loaded with Space Cowboys and Cosmic Girls, and I’m tired. I hope you have fun. Yawwwnn...

* Acabamos de voltar do show do Jamiroquai. Era para ter começado às dez, mas começou sabe que horas? Às dez! Talvez até um minuto antes. Quando acabou o show, olhei para o relógio e vi que hoje ainda era ontem, ou seja, era antes de meia-noite.

* O show foi num lugar chamado “Tabernacle”, que fica ao lado do Centennial Park, onde explodiu a bomba durante as Olimpíadas. O local era uma espécie de teatro, meio antigão, com palco, platéia e dois balcões. Ficamos na “platéia”, mas de qualquer lugar dava para ver o show bem de pertinho. E que show!

* O vocalista, como de costume, estava usando um troço na cabeça. Desta vez não era um chapéu de duende, e sim um cocar albino -- ou, como diz o Ricardo, um espanador branco. Impressionante a energia do sujeito. Ele ficou pulando de um lado para o outro por quase duas horas, como se fosse uma perereca com Energizer.

* Por falar em perereca, você sabia que os olhos de um hamster podem cair se você pendurá-lo de cabeça pra baixo? Legal. Agora, quem será que foi o maluco que chegou a essa conclusão?

* Para você que está se casando ou indo para a África, saiba que a maneira mais fácil de diferenciar um animal carnívoro de um herbívoro é olhando nos seus olhos. Os carnívoros (cachorros, leões) possuem os olhos na parte da frente da cabeça, o que facilita a localização do alimento. Já os herbívoros (aves, coelhos) possuem os olhos do lado da cabeça para perceber a aproximação de um possível predador.

* Existe uma forma mais fácil, porém mais arriscada. Se você chegar perto e o bicho fugir, pode ter certeza de que era um herbívoro. Mas se você chegar perto e ele chegar ainda mais perto, provavelmente seja tarde demais.

* A foto em anexo prova que estamos dirigindo o Batmóvel. Assim que der um tempinho, atualizarei nosso site na Internet e colocarei algumas fotos bacanas por lá.

* Queria falar sobre o “Eyes Wide Shut” mas ainda não fui ver. Os americanos não estão gostando, sinal de que possa ser um bom filme. Chega por hoje. Tem mas acabou. Pato Fui mas já voltei.

### That’s all, folks. Have a nice week.
Ricardo.


P.S.: Dúvidas e reclamações devem ser remetidas à caixa postal... do amante profissional. Pééééééééééé!!! “Deis pau, patrão, deis pau.” Versão brasileira: Herbert Richards.



Alive in Atlanta DoZé.

>> This edition is so hot, but so hot that it should be renamed: Baking in Atlanta.

* Ontem (sábado) foi o dia mais quente do ano aqui em Atlanta, com a temperatura chegando aos 100 Farenheit, ou 38 graus Celsius. Sempre que a gente sai do apartamento é aquele bafão de ar quente e úmido soprando na nossa cara. Buuuff. Para virar uma sauna só falta a essência de eucalipto.

* As fontes do Centennial Park viraram uma grande piscina coletiva. Em breve colocarei fotos de Atlanta em nossa página na Internet. Enquanto elas não chegam, confira as novidades do nosso site, que foi enriquecido com algumas fotos digitais. < http://www.mindspring.com/~ricardoss >

* Segundo minhas pesquisas científicas, se o seu olho não for gago, você pisca aproximadamente 25 mil vezes por dia. Se você piscar mais ou menos do que isso, deve ter alguma coisa errada com minhas pesquisas científicas.

* Fomos ver “The Blair Witch Project”, um filme de suspense cercado por uma boa estratégia de marketing. Cerca de dois meses antes da estréia eu já lia nos jornais comentários sobre a tal lenda de Blair Witch. Segundo a história, em 1940 várias crianças sumiram do mapa, sem maiores explicações. Os desaparecimentos eram atribuídos a uma certa bruxa que vivia num morro no meio do mato. Huhuhuhu.

* Muitos anos depois, creio que em 1994, três adolescentes resolveram fazer um documentário sobre a lenda. Eles foram até a cidadezinha, gravaram alguns depoimentos e depois foram trepar no morro, digo, acampar no mato, onde buscariam sinais da existência da tal bruxa. Os três jovens desapareceram. Oito meses depois, o equipamento e o material gravado foi encontrado debaixo de uma casa centenária, também no meio do mato. O filme é o tenso documentário gravado pelos adolescentes. Quem gosta de acampar (nos morros da Lapa, por exemplo), depois de ver o filme vai pensar duas vezes antes de programar uma nova aventura.

* O segredo de “The Blair Witch Project” está no marketing. Eles fazem de tudo para que vc acredite na veracidade do que vc está vendo. Confira a página do filme na Internet que vale a pena: http://www.blairwitch.com/ Os menos avisados (americanos em geral) pensam que tudo realmente aconteceu. No fim do filme, no entanto, eles morrem, digo, eles dizem que o filme é ficção, :). Voltando ao marketing, na semana (ou semanas) de estréia, apenas 27 cinemas em 17 cidades dos Estados Unidos exibiam o filme. Filas e filas se formaram, ninguém conseguia comprar um ingresso para o mesmo dia. Só nesta última sexta-feira é que o filme foi espalhado por milhares de salas. O pseudo-documentário já arrecadou US$ 28 milhões e está em segundo lugar na lista das maiores bilheterias da semana.

* Em primeiro lugar está o novo filme da Julia Roberts e do Richard Gere, “Runaway Bride” - uma comédia romântica com um quê de Uma Linda Mulher. No filme, Julia Roberts é uma mulher (puxa, verdade?) que sempre foge quando chega a hora do “sim”. Eu não vi o filme, mas é mais fácil o Titanic não afundar no final do que ela não ficar com o Richard Gere.

* Cinco motivos para o sucesso de um filme com final previsível aqui nos EUA: 7% dos americanos acreditam que Elvis está vivo. 25% dos americanos acham que Sherlock Holmes existiu. 53% acreditam que o Atlético Paranaense possa ganhar a Copa do Brasil. 25% também acreditam em fantasmas e 10% dizem ter visto um.

* Só para testar a sua credulidade, você sabia que os CDs foram concebidos para comportar 72 minutos de música porque essa é a duração da Nona Sinfonia de Beethoven?
* Esta edição tem o patrocínio de: Churrascaria Cacique - Rua Atílio Bório, 547, entre Souza Naves e Reinaldino Quadros.

### Chega por hoje. Não esqueça que na terça, dia 3, é aniversário do Beloni. Ligue lá e dê os parabéns. O telefone da agência (Bronx) é (041) 262-5333.

Abraços e uma ótima semana. ;)
Ricardo.


Alive in Atlanta #13

### If this edition were written by a superstitious american, its number would be 14 instead of 13.

* Passei quase toda a semana trancafiado dentro do apartamento. Os “assignments” aqui têm sido mais densos e requerido mais tempo para serem finalizados. Nosso fim de semana passou num piscar de olhos, ainda que só tenhamos saído do casulo uma noite, para ir ao cinema.

* Queríamos ver “Sixth Sense”, o novo filme do Bruce Willis, mas todo mundo teve a mesma idéia e os ingressos estavam todos vendidos. Ao invés de vermos então “Deep Blue Sea”, versão hightech de Tubarão, acabamos galopando com a Julia Roberts em “Runaway Bride”. O filme é bonitinho, engraçado e, assim como a Mag (JR), também foge de maiores compromissos. No mais, é uma Linda Mulher e o repórter machista com resquícios de tontura após ter trocado as curvas da Cindy Crawford pela barriga do Budha.

* Segundo minhas fontes espalhadas pelo país, “Runaway Bride” é campeão de bilheteria aqui e já está passando aí. Portanto, se você for homem, vá apreciar o carisma, o sorriso e o brilho nos olhos da Julia Roberts. Ela de cabelo solto e vestido de noiva está de arrasar. Se você for mulher, vá apreciar o carisma, o sorriso e o brilho nos olhos da Julia Roberts. Ok, ok, vá ver o Richard Gere.

* Atlanta é a capital do Estado da Georgia, também conhecido como "The Peach State." Se você pegar um táxi no aeroporto e disser "Me leve até a Rua Peachtree" é bem provável que ele não te leve a lugar algum. Primeiro porque dificilmente o motorista entenderá o que você está dizendo. Segundo porque existem centenas de ruas chamadas "Peachtree" em Atlanta. O mais engraçado é que na Georgia planta-se mais amendoim do que pêssego, mas isso não vem ao caso.

* Você sabia que rir durante o dia faz com que você durma melhor à noite? E você sabia que, infelizmente, esta edição do Alive não tem a menor possiblidade de melhorar o seu sono?

* Pior é saber que 36,7 milhões de computadores made in USA são vendidos anualmente por ano a cada 365 dias, sendo que 80% são destinados a uso doméstico. O problema é que cerca de 20 milhões de bichinhos ficam obsoletos a cada ano só aqui na “América”. Xistês, dois e três oito meias já estão entupindo lixões e lojas de reciclagem, que começam a virar um bom negócio para quem já não tem mais nada de interessante para escrever, digo, para fazer.

* Amanhã, dia 10, é aniversário da Allana. Seja polido, ligue para ela e dê os parabéns. Aproveite para dizer que você não aguenta mais essas besteiras que o namorado dela escreve todas as semanas. O telefone dela é (041) 362-5344.

* Dica cultural: Em Inglês, quando você escreve algo entre aspas, lembre-se de colocar a pontuação dentro delas, e não fora delas, como fazemos no Brasil. “Runaway Bride,” blablablá. E não “Runaway Bride”, blablablá. Por falar em aspas, use este recurso quando escrever em inglês. Aspas são muito usadas em diálogos, como neste legendário bate-bola entre Ted e Mary extraído e adaptado da obra-prima de William Faulkner:
“Hey, Mary, what’s up?” asked Ted, trying to be polite.
“Sky is up, Ted.” replied Mary, with a serious voice.
“Oh, you’re funny, Mary. Have you ever thought about writing ‘Alive in Atlanta?’”
“Oh shut up, cut the bull!” shouted Mary.
“Yeah, you’re right, Xarape rules.” completed Ted.

### Por hoje é só. Edição número treze você sabe como é... melhor cortar antes que o Jason apareça e acabe com a festa. Ou que algum louco afetado pelos hormônios dos hambúrgueres e pelo pesticida dos pêssegos apareça por aqui dando tiro para todos os lados.

Have a nice one ;)
Ricardo.

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www.mindspring.com/~ricardoss
ICQ 43069607
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Alive in Atlanta #14

*** Hi again. Ao contrário de Nostradamus, Nósnãofalhamus.

* Quinta tivemos uma palestra com o diretor de criação da GSDM, de Austin - Texas. Ele foi aluno do Portfolio Center há nove anos. Entre as coisas que merecem destaque, uma série de cartazes com uma mensagem em comum: “Advertising is an UNINVITED GUEST in people’s homes, cars and some of the most private moments in their lives.” Veja no tópico abaixo a tradução completa da peça.

* Tópico abaixo: “Propaganda é um ‘convidado’ que não foi convidado nas casas das pessoas, nos carros e em alguns dos momentos mais privados de suas vidas. Nós devemos intrigá-las - cativá-las com nossa aparência, com o que falamos. Nós devemos entretê-las - encorajá-las a rir, ou ao menos a sorrir; a chorar, ou ao menos a sentir empatia; e, algumas vezes, apenas fazê-las pensar. Nós devemos persuadi-las - convencê-las de que o que temos a oferecer é genuinamente único e valioso. Do contrário, é pouco provável que sejamos convidados novamente. A propaganda de sucesso torna-se um ‘convidado’ convidado - o primeiro passo em direção ao maior objetivo do anunciante: conquistar lealdade à marca.”

* Uma das campanhas que ele mostrou era para uma companhia aérea, patrocinadora do Campeonato Americano de Futebol Americano. Vários comerciais engraçados, que seguiam o mote “It’s football season again”. Um deles mostrava uma mulher escolhendo um melão num supermercado. Sem querer ela deixa a fruta cair no chão. O barulho chama a atenção das pessoas em volta, que pulam sobre o melão e umas sobre as outras, numa típica cena do referido esporte.

* Sexta-feira, 13 de agosto. Ainda não inventaram dia mais propício para você ir a um parque de montanhas-russas. Nós fomos. E eu, que nunca havia feito um looping sequer numa montanha-russa, fui em dez tipos diferentes, contando aquela bobinha que diverte crianças de dois anos e aquela que faz splash e joga água no pessoal que fica na ponte esperando. Nessas duas, tivemos nossas carteirinhas da FUNAI devidamente carimbadas.

* Mas as outras foram de arrasar. Loopings, parafusos, subidas, quedas, de pé, sentado, de perna pra fora, por cima das árvores, pelo meio do lago, por dentro do túnel, pra frente, pra trás, de um lado para o outro! Até no elevador que despenca do décimo andar nós fomos (O Léo e eu. O Ricardo e a Polyana amarelaram, fiu, fiu, fiu). Confira algumas fotos em http://www.mindspring.com/~ricardoss/pictures

* Você sabia que os chimpanzés são os únicos animais capazes de se reconhecer na frente de um espelho? Bom, não sei quanto a você, mas eu não conheço aquele bacana que insiste em escovar os dentes na minha frente.

* Você sabia que o Oceano Atlântico é mais salgado que o Pacífico? Eu não sabia. E ainda não sei se eu sei. Mas, por medida de segurança, se você sofre de pressão alta, vá tomar banho no Pacífico.

* Aqui continua quente. Tenho que trabalhar! Beijos, tchau!

Ricardo :)

### Vou ativar minha página de “Links”. Se vc tiver alguma sugestão, por favor me mande.

Alive in Atlanta #15

### Welcome to another entertaining edition of your you know what.

* Daqui a pouco tem show do Roger Waters. Maiores detalhes no final desta edição.

* Eyes Wide Shut, a última obra de Stanley Kubrick, poderia ser melhor se não fosse o Tom Cruise. Sério. Ele é legal e tal, mas faz lembrar muito o irmão do Raymond em “Rain Man”. Faz lembrar também o Jerry McGuire, os pilotos de “Days of Thunder” e “Top Gun”, o agente secreto de “Mission: Impossible” e o handicapped palavrento de “Fourth of July”. Ele tem uma expressão bacana, sabe mexer os olhos de um lado para o outro, mas não é versátil. Ele nervoso franze a cara e balança os braços, apontando para o interlocutor. Ele desesperado abaixa a cabeça e acaricia os cabelos seguidamente, levando o cinéfilo ao desespero.

* O papel da Nicole Kidman é um tanto higiênico. Ela bebe, fuma uns e aparece peladona, jogando “pups” no ventilador. Depois fala umas verdades e fica em casa tentando entender por que o papel dela é tão inodoro. A tão falada cena da orgia é uma sacanagem. Como diz a crítica do jornal local: Parece uma apresentação do Cirque Du Soleil com os atores de “Striptease”. Resumindo, Eyes Wide Shut é um filme interessante. Poderia ser mais, no entanto, se emprestasse um pouco da neurose do Woody Allen e se os olhos do diretor estivessem um pouco mais abertos.

* Santa bateria gasta, Batman. Quem mandou deixar a luz acesa durante a noite toda? Pois é, o Batmóvel perdeu toda sua força. Empurramos mas ao invés de pegar no tranco, começou a tocar o bat-alarme. Tentei desligá-lo com o controle remoto, mas a bateria do mesmo também havia ido para o espaço. Um vizinho se ofereceu para fazer transfusão de energia, mas tudo que conseguimos foi um alarme mais alto, chamando atenção dos curiosos que se divertiam na piscina. No final da história, o carro acabou pegando com a ajuda do mineiro Leo.

* Falando em mineiro, vimos “October Sky”. Guerra Fria, 1957. O satélite russo Sputnik acaba de ser lançado ao espaço. Os americanos ficam putos e pedem ao Von Braun que acelere a corrida espacial. Enquanto isso, numa cidadezinha que vive em torno de uma mina de carvão, a visão do Sputnik riscando o céu motiva um garoto a construir um foguete. Contra a vontade do pai, ele e mais três colegas iniciam os projetos e os primeiros lançamentos pífios. A intenção é ganhar o primeiro lugar na feira nacional de ciências, o que os proporcionaria bolsas de estudos em universidades e os livraria do futuro negro, subterrâneo e cheio de pó reservado para eles. Baseado numa história real, o filme é bacaninha, mas não sei se vai passar nos cinemas aí.

* Hank Richardson, o dean of students do Portfolio Center, é uma figura à parte. Ele praticamente não dorme, vive correndo de um lado para o outro e chama todo mundo de cowboy. Para os alunos de Design, ele dá aula aos domingos de manhã e alguns dias durante a madrugada. Bom, né? Os alunos a-do-ram. Ele vive com a mesma roupa: uma calça café com leite, uma camisa pólo preta, um blazer preto e sapatos pretos sem meia. Sempre. Se um dia ele aparecer de calça jeans ou usando meia ninguém o vai reconhecer. Outra coisa, ele vive tentando convencer diretores de arte a reoptarem pelo curso de Design. Hey, teacher, leave the kids alone!

* ROGER WATERS. Acabamos de voltar do show do ex-guitarrista, vocalista e letrista do Pink Floyd. O local do show era uma mistura de Woodstock com um anfiteatro. Palco e arquibancada cobertos e depois um gramadão em aclive, onde a galera se esparramou. O show começou às oito em ponto e terminou às onze. Foram quase três horas com as músicas mais famosas do grupo e algumas do novo disco de Waters. Foi 10. Mais, muito mais do que another brick in the wall.

### C’est la vie. Be good, be careful and be happy, but never ever accept imperative phrases.
Have a nice week, folks,
;) Ricardo.

Alive in Atlanta #16

### “This Alive is a hurricane of new ideas.” (Mighty Dennis)

* Na terça fomos a uma empresa chamada “BrightHouse - The Ideation Corporation”. Não era uma agência, apesar de ser presidida por um redator bastante premiado por aqui - Joey Reiman. Eles não criam campanhas nem anúncios, apenas concebem idéias. A empresa tem 15 funcionários e funciona da seguinte forma: o cliente paga 500 mil dólares e recebe ao final de 3 semanas um livro com todas as aplicações da idéia gerada. A equipe só trabalha com um cliente a cada vez, seguindo a filosofia dos quatro Is: Investigation - Incubation - Inspiration - Illustration. Se o cliente não gostar da idéia, ba-bau, perdeu meio milhão. Segundo o Joey, isso aconteceu apenas uma vez e o cliente pagou de novo (um pouco menos) pela segunda tentativa.

* A BrightHouse tem citações espalhadas pelas paredes. Uma delas, estrategicamente pintada na sala de reuniões, diz o seguinte: “Great ideas are often met with violent opposition from mediocre minds.” É o tipo de frase que você não pode falar depois de ter uma idéia recusada, mas pode deixar à vista antes de apresentá-la. Outra frase bacana, que reflete o espírito da empresa é: “Creativity is intelligence having fun”. No fun, no gun. Durante o processo, funcionários são mandados para outros países, pessoas ilustres são convidadas para um bate-papo informal, ou, como aconteceu enquanto eles trabalhavam numa idéia para a cadeia de hotéis Intercontinental, a equipe inteira se reúne num iate para trabalhar. Eles entendem que criatividade é um bichinho que precisa ser alimentado regularmente, sem muita pressão e com intervalo para fazer a digestão. (http://www.brighthouse.com)

* Depois dos Tornados, agora são os Furacões que assustam os americanos. Primeiro foi o Brett, que amarelou antes de chegar ao Texas. Ele virou uma tempestade tropical ainda no Golfo do México. O próximo da lista é o Dennis, que está vindo de um cruzeiro nas Bahamas. Ele já conta com ventos de 130 milhas por hora (~ 207 km/h) e deve chegar à Costa Leste (Flórida, Geórgia, Carolina do Sul) na segunda ou terça-feira. Dois outros furacões passeiam pelo Atlântico, mas devem ir por água salgada abaixo sem encostar o cisco em terras americanas.

* Brett e Dennis são espécimes raros na furacolândia. A maioria esmagadora da família de sopranos leva nome de mulher (Cindy, Emily, Becky, Allana, etc). Segundo os especialistas, esta temporada de furacões vai quebrar recordes de ocorrências, além, é claro, de árvores, telhados de vidro e barraquinhas de cachorro-quente.

* A palestra da semana trouxe um animador de San Francisco. Ele mostrou passo a passo o processo de animação de alguns desenhos híbridos, que contam com animação tradicional, colagem e computação gráfica. Dos que ele fez para a Coca-Cola, pelo menos dois passaram no Brasil. Com um visual anos 50, um deles mostrava trabalhadores numa fábrica de pizza, suando e bufando. Do outro lado, numa fábrica da Coca-Cola, todos alegres e felizes, num ambiente refrigerado. Os coca-cólicos convidam os pizzaiolos e eles fazem um alegre piquenique em frente às fábricas.

* No outro desenho, um caminhão de Coca-Cola pifa, o motorista abre o capô e vê que acabou o refrigerante do motor (um ratinho que corre numa esteira). Tudo fica em preto e branco até que o refrigerante é substituído e o caminhão continua seu caminho até a cidadezinha, que ganha cor e sorri feliz com a chegada do carregamento. Vendo-os prontos, a gente nunca imagina o trabalho que existe por trás.

* Vale a pena ver “Sixth Sense”, o novo filme do Bruce Willis. Ele, com cabelos implantados, é um psiquiatra infantil que tenta ajudar um menino esquisitão. Extremamente convincente no papel, o garoto enxerga pessoas que já morreram, mas que ainda não foram para o céu porque não resolveram suas pendências. O clímax está no final, quando um desfecho genial faz você descobrir que o mordomo é o assassino. :)

* Conheça o portfólio do Fernando Camacho - diretor de arte da Mercer, em Curitiba, e Young Creative do Paraná em 1999. A página é simples, rápida e fácil de navegar: http://www.camacho.com.br

### É isso por hoje. Tenha uma ótima semana. ;)
Ricardo.

“No man is happy who does not think himself so.” (Publilius Syrus - Ist C. B.C.)

Alive in Atlanta #17

### Depois de bem-sucedida estratégia de Marketing, ele voltou. Alive in Atlanta 17. O que era para ser mas não foi e acabou não sendo. Caso vc sinta-se prejudicado(a) com esta edição reduzida, receba inteiramente grátis a edição de ouro número 18 mais um fabuloso certificado de 52 anos de garantia contra cupins e ornitorrincos mancos.

* Por falar em furacão, anuncie no Alive. Nossos leitores são cultos e participativos. Confira este comentário de Alessandra Moretti:
“Sempre atenta ao "Alive", achei que valeria fazer um comentário, que apesar de "bem sabido" nos US, poderia ser uma curiosidade desconhecida por aqui: O batismo de furacões é feito em ordem alfabética.” (www.cinequanon.com.br)

* O furacão do momento chama-se Floyd e agora passeia com ventos sustentados de 110 mph em direção a Puerto Rico. Saiba mais em http://hurricane.weathercenter.com/

* Anuncie no Alive. Leitores com senso crítico, reivindicativo e cheios de humor para dar. Veja só esta carta do leitor H. Romeu Herbert:
“Caro editor chefe, superintendente geral, ouvidor gerente ou o manda-chuva que for...
Venho por meio desta, ou deste (não sei se e-mail é homem ou mulher) verificar o que ocorreu com o 'Alive in Atlanta' que não me foi mandado domingo último. Será que minha assinatura teve algum problema, algum bloqueio existente no meu cartão, alguma coisa está fora da área de serviço ou desligada? Ainda bem que por estes lados de cá é Semana da Pátria e o Brasil também está de férias, vai voltar a funcionar apenas na semana que vem, dia 13 (se é que vão conseguir fazer pegar no tranco), então não estou tão perdido sem as informações do 'Alive in Atlanta'.
Em todo caso, estou lhe mandado a cópia do email, com foto e outras identificações que possam lhe ser úteis na conclusão do caso em questão...”

* Nosso quarter acabou. A pilha acabou também, como você pode notar. Daqui a duas horas tenho que acordar para ir a Miami. Voltarei em tempo de escrever o Alive #18. E com 18 você já sabe, já dar para comprar revista de mulher pelada. (Viu como a pilha acabou mesmo?)

Abraços e boa semana,
Ricardo.

Alive in Atlanta #18

### Ele voltou! Edição especial de maioridade com artigos sobre efes. Férias, Furacões e Família unida jamais será vencida.

* No último Alive - lembra dele, aquele fraquinho? - eu disse que ia recarregar as baterias em Miami. “Quac! Quaac!” como diria o Pato Donald. Fui num domingo, esperando passar quatro dias com meus pais, curtindo uma praia, comendo bem e tal, mas tivemos que voltar no dia seguinte, fugindo do Floyd, o furacão monstro que era maior que o estado da Flórida.

* Ventos de 238 quilômetros por hora, um olho gigantesco e potencial para varrer cidades do mapa. Na televisão, cobertura 24 horas do caminho do furacão, que estava se aproximando das Bahamas. Também mostravam listas de emergência, com o que fazer e o que comprar para sobreviver durante e depois do temporal. Água, baterias, comida não perecível e até ração para os animais. Remédios também eram recomendados. Em poucas horas, água passou a ser a substância mais valiosa de Miami. Comparações com furacões anteriores eram freqüentes, e o Floyd ganhava disparado no quesito tamanho (quatro vezes maior do que o furacão Andrew, por exemplo, que avacalhou com Miami em 1992).

* Alimentado pelo calor do Oceano, o Floyd acabou causando o maior evacuamento da história dos Estados Unidos. Cerca de 3 milhões e meio de gentes foram obrigadas a pegar a estrada e deixar suas casas ao sabor dos ventos. Antes disso, porém, a maioria dos habitantes costeiros comprou “Plywood” no “Home Depot” para proteger suas frágeis vidraças.

* Conseguimos antecipar em três dias nosso vôo para Atlanta, e foi muita sorte. O aeroporto estava um caos, filas gigantescas e gente esparramada por todo lado. No caminho para o aeroporto, a cena era um tanto quanto melancólica. Casas com madeira nas janelas, restaurantes e lojas fechados, barcos voltando para o porto, filas nos postos de gasolina e um silêncio visual que incomodava os sentidos.

* O Floyd acabou perdendo força e desviando-se para o Norte, onde causou estragos e inundações. Até a última sexta, 36 mil casas ainda estavam debaixo d’água. Autoridades estão discutindo se agiram com excesso de zelo. Eu acho que não. O problema é que ainda não se consegue prever com exatidão o caminho do furacão. Sei lá, Floyd exprica.

* Viemos então para Atlanta, onde teríamos cinco dias para inventar o que fazer. Fomos a um jogo de baseball (o Atlanta Braves venceu o New York Mets por 2 a 1), ao teatro (ver “The Sound of Music”, ou “A Noviça Rebelde,” com participação especial do plastificado Richard Chamberlain) e aos treinos para a “Petit Le Mans,” corrida de protótipos e fórmula GT. Porsches, Ferraris, Vipers, BMWs e o carro mais malucão de todos, o Panoz. O Panoz, aliás, que venceu a corrida. Em seguida veio o BMW do Soper, o piloto inglês com o qual conversamos depois dos treinos.

* A próxima etapa foi Washington, D.C. Tínhamos quatro dias por lá, mas tudo acabou sendo muito rápido. Vimos o Capitólio, a Casa Branca, o Monumento de Washington (que estava em reforma), o Memorial do Lincoln, o Air and Space Museum (Smithsonian), National Art Gallery e por aí vai. Ou foi. Foi realmente um passeio memorável com meus pais. Nos divertimos à beça.

* Na quarta-feira, eles foram para NY e eu voltei para cá, para aguardar a chegada da minha namorada. Allana in Atlanta, yes! Ela está aqui do meu ladinho. Aliás, com sua licença,...

Abraços e boa semana ;)
Ricardo.

Reclames do Alive:

<> Clique aqui para doar uma xícara de alimentos para quem tem fome: http://www.thehungersite.com/index.html

<> O melhor churrasco de Curitiba está na Churrascaria Cacique. Fale com o Escarante e peça “aquele” molho especial que ele mesmo prepara. Atílio Bório, entre a Reinaldino Quadros e a Souza Naves.

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Alive in Atlanta #19

### Hey folks. Now we’re back definitely and uninterruptedly just like our famous “Paraná em Páginas.”

* ATENÇÃO: Se você deseja continuar recebendo o Alive até o fim do ano, mande-me um “reply” assim que ler esta edição. Não precisa dizer nada, apenas aperte “reply” e pronto. Se você não fizer isso, eu vou aumentar o valor da assinatura e começar a mandar aquelas cartinhas de corrente para sua felicidade.

* Enquanto vocês pensam em ir ao Oktoberfest em Blumenau, a Allana e eu descobrimos uma cidadezinha alemã aqui na Georgia. Chama-se Helen e fica a apenas duas horas de viagem de Atlanta. A cidade é uma Blumenau reduzida à escala 1:100. A Oktoberfest deles também é pequena, mas começou em setembro e vai até o fim de outubro.

* Passamos uma noite por lá, de quinta para sexta, tomando chope de graça graças ao providencial encontro que tivemos com a filha do chopeiro-mor. A média etária dos festeiros era algo em torno dos 70 anos - velhinhos e velhinhas, sozinhos ou acompanhados, divertindo-se a valer. A terceira idade daqui dá um exemplo de vida para muita segunda idade daí.

* Para registrar nossa passagem pela Oktoberfest de Helen, pedimos para um senhor tirar uma foto e ele estranhou que a máquina não tinha um pom-pom como disparador e nem flash de pólvora. :)

* Voltando à Atlanta, fomos jantar no hotel mais alto dos Estados Unidos (Westin). O restaurante é giratório e fica no septuagésimo-sétimo andar. A vista é fantástica, a comida é boa e o preço, ugh, é nas alturas.

* Hoje (segunda, 11/10) é dia de soprar velinha para Rafael Gandolfi, vulgo Rochinha. Ele é irmão do Ricardinho, advogado de reputação ilibada e comissário de menores sem-vergonha. Dúbia a frase, não?

* Lançaram aqui recentemente o Mac G4. Como ele foi considerado um supercomputador pelo Governo dos EEUU (tendo sua exportação restrita para certos países), o comercial de TV mostra ele no centro da tela, sendo cercado por tanques de guerra enquanto uma musiquinha expedicionária fica tocando e o narrador vai explicando em off as novidades. É super simples, mas chama a atenção e transmite a força desse bichinho. Ao contrário dos iMacs, o G4 só vem numa cor - cinza.

* Enquanto escrevia o Alive, um bando de carros de bombeiros estacionou aqui na frente do apê, inclusive aquele grandão que tem dois motoristas (um na frente e outro atrás). Uma manada de bombeiros com aquelas roupas de astronauta despencou dos carros e entrou num apartamento vizinho. O problema foi um aquecedor de água que explodiu. Dois carros de bombeiros dos grandes e uma ambulância foram embora sem mortos nem feridos.

* Por falar em ir embora, minha namorada vai me abandonar amanhã. Chuif, chuif. Vou ficar na mão.

* As aulas deste quarter prometem. Tenho duas aulas de Concepting, uma de rádio, uma de Photoshop intermediário e mais a palestra semanal. Por coincidência, os produtos com os quais vou trabalhar nesses primeiros dias são iguais. Trem de verdade para a primeira e trem de brinquedo para a segunda. Alguém trem alguma idéia para emprestar?

### All aboard! O Alive embala de vez e só pára quando dezembro chegar. Para recebê-lo todos os domingos em seu e-mail, não esqueça de me enviar um reply.

Como falam os Atlânticos, have y’all a good week ;)
Ricardo.


Alive in Atlanta #20

### Obrigado pela preferência e viva o renascimento renascentista. Depois do Leonardo, agora também o Alive dá 20.

* Seção cultural... Você sabia que astronautas não podem comer feijão antes de suas viagens, pois os gases podem danificar as roupas espaciais? O pior é se o astronauta que comeu escondido o preto que satisfaz precisa fazer algum trabalho fora do ônibus espacial. Um pequeno escape do retrofoguete e pfiuuu... o sujeito vai para o espaço e volta para a Terra como um asteróide flamejante com a cueca danificada.

* Por falar em Cuba, foi lá que nasceu o Irene, o mais novo furacão americano. Depois de inundar alguns pontos da Flórida e buscar mais água no Atlântico, o Irene está prestes a molhar as costas das Carolinas. De nooovo? De novo, tadinhas. Elas ainda estavam um tanto encharcadas depois da sacanagem do Floyd e agora vão ter de suportar as lágrimas do Irene (o furacão travesti). Pelo menos o Irene é menos escandaloso; seus ventos não passam de 120 quilômetros por hora, limite mínimo para uma tempestade tropical ser considerada um furacão.

* Enquanto isso, na Sala de Justiça... “Ei, super-homem, pare de tremer senão vai quebrar minha cama invisível...” “Puxa, mas eu pensei que fosse você...”

* Sete graus e pouquinho na escala Hichter foi o terremoto que sacudiu a área mais deserta dos Estados Unidos. Fora alguns ratos soterrados e escorpiões traumatizados, a ocorrência mais marcante foi o descarrilamento de um trem da Amtrak, justamente o produto com o qual estamos trabalhando. Tirando a mulher-maravilha, ninguém foi pro céu. Como diria o Leo, “Ê, trem bão, sô”.

* Se o epicentro tivesse ocorrido na cidade de Los Angeles, teria sido uma catástrofe de dimensões hollywoodianas. Um amigo nosso que está em LA disse que sentiu o tremor mas não ficou com medo. De tão bêbado, pensou que as pernas estivessem lhe pregando uma peça.

* É... americano não tem escapatória mesmo. Tem furacão no leste, terremoto no oeste, tornado no centro e mulher masculina com peito de borracha por todo lado.

* Uma loira balofa é uma policial que tenta acabar com uma série de atentados terroristas. Numa das cenas, ela grita, “Não coma este hamburguer, ele é uma bomba!” E buum, o hamburguer explode. Noutra, um casal de namorados é vítima de uma bomba que estava dentro da cesta de piquenique. Tudo parece meio fake; tem algo estranho no trailer. O nome do filme é “Blow’d Out” e tem tudo para ser um trash total. A heroína é grande e barriguda, os atores não conseguiriam uma ponta no “Chaves” e o narrador fala que foram investidos 200 milhões de dólares na produção...

* ...200 milhões de dólares nesse lixo?! A platéia fica indignada. Enquanto aparece a data de estréia na tela, a câmera revela um sujeito que está vendo o mesmo trailer na televisão. Ele entra no site do E-Trade e rapidamente vende todas as ações do estúdio que está produzindo o filme. O sucesso do comerical pode ser medido pelo alvoroço na platéia.

### That’s all folks. Obrigado pela preferência, uma boa semana e Coritiba dois, Atlético um ; )

Ricardo.

### Ywpeee! Good morning! Drunk in Atlanta, hic. Differently from Brazil -- what? No sir, it’s Brasil, just like this, with ass and not zee. Ok, ok... That’s true. We have ass, they don’t, and that makes me feel like drinking some beer. The problem is that finding a good beer here is at least as difficult as finding a reasonable background. Worse. Instead of paying one real for a glass of beer in Brasil, we have to pay three to five dollars for a glass of this yellow sparkling shit they call beer here, and that blows my craving away. So, even with the legal age to drink, Alive in Atlanta remains sober, kicking some s’s and covering the i’s.

[this weird editorial was written specially for the verily nice people of One Language Center.]

* A palestra da semana foi com uma designer da MTV. Ela era canadense (dizem que ainda é), começou a carreira desenhando capas de CD para bandas heavy-metal e estudou no Portfolio Center. Excetuando-se os catálogos que ela fez para diversos VMA's (Video Music Awards), não consegui me empolgar com muita coisa.

* Brrrrrrrrr... Tá frio pacas por aqui. A temperatura neste momento é de 46 graus Fahrenheit, ou 07 graus Celsius. No entanto, a sensação térmica para as milhares de pessoas que estão vendo o Atlanta Braves perder para o New York Yankees no Turner Field neste momento é de apenas 01 Grau Celsius. É aquele frio que congela o dedinho do pé se vc estiver usando uma meia úmida, como é o meu caso.

* Feliz e contente com a vitória do Grêmio, um gaúcho perdido por aqui soltaria um Bah! cheio de fumacinha.

* O Braves perdeu por 7 a 2 para o Yankees na “World Series”, uma melhor de 7 jogos entre os campeões das Conferências Nacional (Braves - http://www.atlantabraves.com) e Americana (Yankees - http://www.yankees.com). O engraçado é que o vencedor da série recebe o título de Campeão Mundial. Fazendo uma comparação fuinha, é como se o Campeão Brasileiro e o Campeão da Copa do Brasil disputassem uma final e o vencedor recebesse o título de Campeão do Mundo.

* Halloween é um negócio monstro aqui nos EUA. Segundo meus espectro-cálculos, deve movimentar caixões e caixões de dólares. O que a gente vê de abóbora esculpida, propaganda de fantasia e casa mal-assombrada não só está no gibi, como na televisão, rádio e supermercados em geral.

* Por falar em Halloween, um dos trabalhos que temos para a próxima semana é escrever um spot de rádio para a “Fright Fest” do Six Flags - parque de diversões da Warner Bros. Nós, como bons publicitários, fomos estudar a matéria in loco. Resultado: o parque estava abarrotado, as montanhas-russas tinham filas de duas horas e as atrações especiais eram a maior furada do mundo.

* Pagamos 5 dólares para entrar num troço chamado “Alice Cooper’s Brutal Planet” e saímos de lá quase chorando... O lugar era um verdadeiro horror. Alguns frequentadores do parque (e suas esposas) eram mais assustadores do que os próprios monstros.

* Double Jeopardy, com Tommy Lee Jones e Ashley Judd, é um filme que pode ser legal se vc não souber do que se trata. O problema é que o trailer conta em detalhes o que o título insinua. Se você tiver escolha, veja um outro filme qualquer.

* Um outro filme qualquer: American Beauty, com Kevin Spacey e Annete Benning. Um casal em crise conjugal. Uma filha estranha. Uma amiga da filha (~15 anos). O pai da filha de olho na amiga da filha. Um vizinho voyeur e traficante de olho na filha. A mulher de olho no corretor concorrente. O corretor concorrente de olho na mulher. O pai da filha despirocando geral. A amiga da filha de olho no pai da filha. O pai do vizinho voyeur e traficante despirocando geral. E pow aí vai. O filme é engraçado e o Kevin Spacey está excelente no papel.


### That’s all, folks. E ponha all nisso. Como diria Rousseau, escrevi muito porque não tinha o que escrever. Ah, veja "O Sexto Sentido" e depois me diga qual a cena que nao fez muito sentido para você, ok?

Tenha uma boa semana. Aquele abraço ;)
Ricardo.

Alive in Atlanta #22

### This edition is late because I had a sore throat and a headache, and both got worse after I went to a Halloween party dressed as a blind physician. At least now I have a spooky voice that might help me scare the boisterous Mexican painters who insist on waking us up early in the morning with their obstreperous air brushes and moronic leaf blowers.

* Quinta-feira tivemos uma ótima palestra com o Luke Sullivan, aclamado por duas vezes pela revista Adweek como um dos melhores redatores de publicidade dos Estados Unidos. Com mais de 20 medalhas do One Show (o Oscar da publicidade americana) em seu currículo, a primeira coisa que ele fez quando pegou o microfone foi banalizar a questão “prêmios.” “Nenhum cliente sabe o que é isso. Nenhum cliente se importa com isso.” Até o ano passado, Luke trabalhava na Fallon McElligot, com clientes como Miller Lite beer, Time Magazine, BMW, Lee Jeans e outros. Hoje ele é diretor de criação da West,Wayne, uma das maiores agências aqui de Atlanta.

* Apesar de ele dar algumas dicas no “The Copy Book,” - uma compilação de trabalhos de 32 dos melhores copywriters europeus e americanos -, a melhor descrição do que foi a palestra está num livro chamado “Hey Whipple, Squeeze This - A guide to create great ads.” O livro é do próprio Sullivan e foi lançado no ano passado. Vale a pena pela simplicidade, comicidade e objetividade com que foi escrito. Se você não o encontrar aí no Brasil, com certeza irá achá-lo na Amazon Books: http://www.amazon.com

* Na quinta à noite fomos ao show do Elvis. Oh, yeah, I’ve seen Elvis! He’s alive and kicking some butts. Elvis Costello mandou ver em duas horas e meia de show no Tabernacle. Apenas ele, meia dúzia de violões e um pianista no palco. Após sair do tablado pelo menos umas cinco vezes, ele voltou umas seis e detonou uma última música só no gogó, sem microfone, fazendo todo mundo cantar junto. Foi bem legal. O único senão foi nossa ignorância letrística. Para falar a verdade, eu só conhecia mesmo uma música (What do you get when you fall in love.... I... will never fall in love again).

* Atlanta é uma das cidades mais verdes dos Estados Unidos. Ou melhor, era. O verde deixou de ser a cor da estação para dar lugar a um verdadeiro show de cores. Por todos os lados vemos árvores com folhas amarelas, alaranjadas, verdes e vermelhas das mais diversas tonalidades. Colocadas lado a lado, elas parecem que foram pintadas à mão, como se fossem aquarelas.

* Você sabia que uma asa de mosquito se move 1000 vezes por segundo? Eu não sabia, mas isso de certa forma explica por que eu nunca consigo pegar aquele que fica zumbindo no meu ouvido durante a noite. E o pior é que o zumbido sempre aumenta depois que eu erro o tapa.

* Por falar em tapa, vi que estreou aí no Brasil o Clube da Briga, dos Brigões, da Porrada, ou sei lá como estão chamando o novo filme do Brad Pitt. Só sei que "Fight Club" está causando uma certa polêmica aqui nos EUA. Adolescentes - sempre eles - já incorporaram o espírito do filme e começaram a trocar tabefes em público. Eles vestem as luvas e distribuem porrada sem medo de levar uma no nariz. Até as meninas entraram na briga. Conclusão: tem alguma coisa errada na educação dessa turminha por aqui.

* Uma das explicações: recentes pesquisas mostram que os americanos gastam mais com comida de cachorro do que com comida de bebê. Não sei se eles têm mais cachorros do que bebês, ou se dão comida de cachorro para os bebês ou ainda se gostam mais dos cachorros do que dos bebês. Fato é que eu, por exemplo, nunca vi meus vizinhos levando seus bebês para passear, cheirar postes e fazer xixi na grama.

### That’s au, folks! Have a bonzo week ;)
Ricardo.

“I’ve got a great gimmick. Let’s tell the truth.” (Bill Bernbach)

Alive in Atlanta #23

### Bem-vindo à indigestão número 23 do Alive in Atlanta. Oh, no. Not a lot of news today, my friend. No, no, not at all. But I’ll try to fill some sausage anyway.

* “Estudante de medicina metralha platéia de cinema.” Peraí. Será que não estamos indo longe demais com esse negócio de copiar tudo que americano faz? Mas que praga! Resultados para nossa sociedade: três famílias desoladas, um parasita para alimentar e o risco de que este trágico exemplo seja seguido por mais algum dependente químico ou mentecapto revoltado qualquer. Espero que pare por aí. Já temos problemas suficientes para ainda ficarmos importando essas anomalias comportamentais.

* Não leia esta linha, ela não trará nada de novo para você. Obrigado pela compreensão.

* Steve Hayden, criador do comercial “1984” para a Apple Computers, disse o seguinte: “Se você quiser ser um redator bem-remunerado, agrade ao seu cliente. Se você quiser ser um redator premiado, agrade ao você mesmo. Se você quiser ser um grande redator, agrade ao seu leitor.” Pois é, isso vale para a agência como um todo. O nosso mercado evoluirá muito quando passarmos da filosofia dois para a filosofia três.

* Falando em Apple, você sabia que o nome HAL, do computador do filme "2001, Uma Odisséia no Espaço", não foi escolhido à toa? Faça o teste. Procure nele alguma relação com a sigla IBM.

* Fomos assistir ao filme “Bring out the dead,” com o Nicholas Cage. Ele é um paramédico, recém-saído de Despedida em Las Vegas, que bebe no trabalho, dorme de dia e não salva uma vida há muito tempo. Totalmente estressado, ele tenta ser despedido pelo chefe, mas nunca consegue. Puxa, desculpe-me se contei o filme todo... Na verdade queríamos ver o novo filme do Al Pacino, “The Insider”, que mexe tanto com a indústria do tabaco que os jurados de um processo multibilionário contra empresas do setor fumacêntico foram proibidos pelo juiz de assistir ao filme. Leia a íntegra da notícia em http://www.cnn.com/SHOWBIZ/Movies/9911/05/insider.culpepper/index.html

* Eu não agüento mais comer pizza congelada, macarrão congelado, sanduichinho congelado. ARGHHHHHHHH! E olha que eu esquento tudo antes de comer. Sucrilhos com leite e salada de pacote também viraram coisas difíceis de engolir. Hambúrguer? Nãããããoooooooooooooo!

* Se você quiser conferir todas as edições do Alive in Atlanta, aponte seu browser para http://www.mindspring.com/~ricardoss.

### And that’s all. Doe gratuitamente uma xícara de alimentos para quem precisa. Clique aqui: http://www.thehungersite.com

Um abraço e uma boa semana!
Ricardo.

Alive in Atlanta #24

### Welcome to another gay edition of your favorite valuable American newsletter.

* Estou com um ótimo humor hoje, portanto não vou reclamar dos americanos. Só vou fazer algumas observações, OK? Vamos lá. Veja só se isso é notícia para se passar na CNN: “Bombeiros de Maryland querem vender caminhão supermoderno porque ele corre 5 milhas acima do permitido por lei.” Oras, pelo amor dos meus filhinhos, vão plantar batatas! Já imaginou o diálogo desses protozoários acéfalos?
- Acelera essa m..., John, o prédio tá pegando fogo!
- Mas o sinal tá fechado, Mike.
- Ei, mas isso é uma emergência! Precisamos salvar vidas.
- Não, de jeito nenhum. Não quero perder pontos na minha carteira de motorista.
- É mesmo... eu não tinha pensado nisso.

* Outra. Esses dias recebi uma carta da Associação das Parasitas Desocupadas dizendo que farmacêuticos do mal estavam restringindo a venda de anticoncepcionais e que eu, como americano valoroso e defensor das causas sociais, deveria estar indignado com um absurdo desses e que deveria, então, doar quinze dólares para que a associação pudesse derrotar os famigerados farmacêuticos. Educado e cordial, ao invés de mandar a relevante associação catar minhoca no asfalto, usei o envelope de porte pago para sugerir o uso de camisinhas.

* E tem mais (ainda bem que estou de bom-humor)! Recebi outra carta que também dizia que minhas ações na luta por uma sociedade mais justa estavam sendo observadas e reconhecidas, e que por isso mesmo eles estavam me enviando um cartão mequetrefe do qual deveria me orgulhar. É claro que eu, como americano valoroso, defensor das causas sociais e cidadão exemplar, deveria contribuir com vinte e cinco dólares para o bem das amebas merdoliformes. Resultado? Usei o envelope já pago por eles para mandar, ao invés da doação, um cartão vermelho com a delicada inscrição: “You’re so fake.”

* Por falar em porre, o Leo apareceu aqui ontem com uma garrafa de Bacardi 151, um rum dourado cuja gradação alcoólica é de 75,5 por cento! A primeira coisa que você lê no rótulo: “WARNING: FLAMMABLE.” No gargalo, acredite, ao invés de um conta-gotas existe um dispositivo corta-chamas (“FLAME ARRESTER. DO NOT REMOVE OR PUNCTURE!”). Na parte de trás do rótulo existe uma lista de precauções e aquele sinal que você está acostumado a ver em caminhões de combustível. Se fumar, não beba. Se beber, não fume. Se pegar fogo, torça para que os sinais estejam abertos.

* Por falar em Martini, sempre “stirred, not shaken.” O novo filme do James Bond - ”The World is Not Enough” - estréia nesta sexta-feira. Outros filmes que estão na minha lista e que brevemente serão avaliados pelo cri-crítico de plantão são: “The Insider” (com o Al Pacino - o Ricardo viu e gostou), “Dogma” (que está gerando uma certa repercussão aqui na Hipocrilândia por mexer com assuntos religiosos - com Matt Damon e Ben Affleck), e “Boys Don’t Cry” (que vem abocanhando alguns prêmios no circuito não-comercial).

* Revoltadas com o falso-moralismo de seus plantadores, as árvores americanas primeiro ficaram vermelhas e agora despem-se despudoradamente. Suas antigas vestes cobrem carros, ruas e avenidas por todos os lados da cidade. Só o nosso condomínio aqui que fica razoavelmente limpo. Três vezes por semana vêm os mexicanos com suas incríveis máquinas de soprar folhas para jogá-las no condomínio vizinho.

* Você sabia que 15% das mulheres americanas mandam flores para si mesmas no dia dos namorados? Eu não sabia, mas, cá para nós, com as mulheres aqui agindo cada vez mais como homens (e vice-versa), acho que este número tende a aumentar.

* Se você não gostou desta edição, minha namorada mandou dizer que me ama. Eu sei que isso não faz sentido, mas foi isso que ela falou. Ela também disse que sou um americano valoroso e um namorado exemplar, mas isso não vem ao caso.

### That’s all for today. Tenha uma magnífica, valorosa e exemplar semana ;)
Sacudidelas manuais,
Ricardo.

Alive in Atlanta #25

### This edition is dedicated to my favorite mom, whose birthday was yesterday, November, 21st. You know, this is not about a lady becoming older, but about a flower fulfilling another Spring. (Hey, dad, you could use that, huh?) ;)

* “Dogma” é um filme engraçado, com uma leve e talvez não muito adequada seqüela da violência estéril de Pulp Fiction. Tem diabo sacana, anjos perversos, anja gostosa e um montro que não cheira nada bem.

* No começo de “Dogma”, um padre resolve adotar um novo símbolo para a Igreja Católica. Ao invés de Cristo pregado na cruz, um Cristo alegre e sorridente, apontando para você e fazendo o sinal de positivo. É claro que os vegetativos de plantão bateram o pé e protestaram, dizendo que o filme era um desrespeito, um absurdo, uma heresia. É claro, também, que tudo que eles conseguiram foi contribuir para o aumento da bilheteria.

* Por fim, “Dogma” é legalzinho, mas não merece uma terceira linha de comentários. Esta linha, portanto -- como diz meu amigo Escarante da Churrascaria Cacique (espero que vc já tenha ido lá) --, está bem desmerecidinha. Saiba mais em http://www.dogma.com

* Man or Astroman? Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.... Hein?
Fomos ao show de uma banda chamada Man or Astroman? O som estava alto pacas e ficamos por dois dias com abelhas voando nos ouvidos. O show, no entanto, foi muito louco, uma mistura de techno-pop com rockabilly ideal para sacudir os neurônios. Os integrantes, hiperativos ao extremo, pareciam pulgas em cachorro novo, pulando de um lado para o outro em coreografias psicodélicas e robotizadas.

* Voltando de uma pesquisa de campo no supermercado mais próximo, nos defrontamos com um sujeito peculiar. Aparentemente um cara normal, ele vinha subindo a rua com uma cruz na mão esquerda e o braço direito estendido, apontando para os carros. Parecia um soldado de Hitler ou Mussolini, mas não demonstrava ser perigoso. Nossos vizinhos de cima, sim, são perigosos.

* Eles são três. Dois filhos da mãe e uma mãe dos filhos. Incrível. Nunca vi pessoas mais antipáticas em toda a minha vida. Eles simplesmente não cumprimentam ninguém, não sorriem, estão sempre de mal com o mundo e vivem brigando em cima de nossas cabeças. De dia, parecem que andam de casco, de um lado para o outro, pocotó, pocotó, poft, poft, poft, cabum! De noite, roncam como tratores cavando poços de energia negativa. Tem alguma coisa muito errada com esses caras.

* Mas a boa notícia é que eles estão de mudança. Creio que foram despejados após sucessivas reclamações dos vizinhos. Um dia desses foi a paciência do Ricardo que se esgotou. Ele, ainda meio dormindo e com aquela cara de poucos amigos, foi até a gerência do condomínio e soltou os cachorros para cima da dona. Pelo jeito funcionou.

* Por coincidência ou não, nesta semana é o feriadão do Thanksgiving por aqui, uma data que junta mais as famílias americanas do que o próprio Natal. Segundo fontes não-reveláveis, esta é também a data em que mais se come por aqui. Voltarei com notícias saídas do forno assim que elas esfriarem e forem devidamente processadas.

### C’est tout. Avez vous une semaine du barrulhô.
Abraços (e pernas),
Ricardo.

Alive in Atlanta #26

### This edition is dedicated to the award winner Off7 Digital. A única gráfica do Paraná a ganhar o prêmio Fernando Pini neste ano, a maior condecoração da indústria gráfica nacional. Saiba mais em http://www.off7.com.br. Way to go, folks!

* Como já havia escrito no Alive anterior, os integrantes Família Adams mudaram-se. Porém, de acordo com a rotina aérea descrita pelos corvos da região, os monstrinhos saíram de cima de nossas cabeças com suas tempestuosas e portáteis nuvens negras e foram para uma outra casa do mesmo condomínio. Pode? Podeu. Resta-nos esperar quanto tempo os vizinhos de lá vão agüentar a simpatia de nossos amiguinhos.

* Nosso feriadão de Thanksgiving foi o mais iconoclasta possível. Ao invés de passarmos com a família, enchendo a pança de peru e vendo futebol americano na televisão, passamos o dia em casa, comendo macarrão congelado e trabalhando em nossos projetos.

* O quarter está chegando ao fim. Entramos agora na última semana de aula. A próxima semana será a “Studio Week”, período em que a escola fica aberta 24 horas para que os trabalhos sejam finalizados para a Critique. Mexemos os chopsticks para que a nossa Critique fosse logo no dia 13, pois nossa passagem estava marcada, desde março, para o dia 14 de dezembro.

* No sábado, dia 27, foi aniversário do Popó - vulgo Nego Lee -, amigão do peito, sofredor do Paraná e redator da Get! Propaganda. Seguindo a tradição paranista, Mr. Lee deixou-se vencer até por sua companheira na disputa de dardos que marcou suas festividades parabenizantes.

* Segundo fontes de duvidoso calão, aproveitando-se da vexatória situação, um piadista de plantão questionou os convidados a respeito da diferença entre o salário mínimo e o Paraná Clube. Um exaltado e experiente folião, então, cuspiu no chão e respondeu: O salário mínimo você ganha, ganha, ganha e não compra nada... Por outro lado, o Paranáaaarghhhh! (Ao tentar completar sua perspicaz resposta, eis que um dardo perdido de procedência alcoolizada voa cegamente em direção às suas cordas vocais, calando-o para sempre.) Depoimentos gravados clandestinamente mostram o senhor Lee calmamente comentando com os dois outros torcedores da Nação Paranista: “Perco o amigo, mas não ouço a piada.”

* Fomos ver “The World is Not Enough”, último filme do James Bond. A seqüência inicial é divertida, com uma perseguição de lanchas pelos braços do Tâmisa e pelas ruas de Londres. A primeira candidata a Bond Girl vai pelos ares logo de cara, uma pena. Mas, tudo sob controle, no decorrer do episódio nosso herói encontra aconchego nos braços inimigos de Sophie Marceau e nos peitos nucleares de Denise Richards, uma cientista atômica chamada Christmas. É claro que nosso herói - enfim novamente politicamente incorreto - não perde a oportunidade de soltar um trocadilho: “Christmas only comes once a year.”

* Hey, Bond, Alive is better. It doesn’t have all those tits, but it comes once a week. :)

* O mais legal do filme acabou sendo o cinema, que tinha poltronas individuais e mesinhas grupais, com serviço de bar, cerveja gelada e pizza de churrasco de galinha.

### Well, that’s all, folks. Have fun and be good. And, as my friend Donald always says: “If you can’t be good, be careful.”

See you around ;)
Ricardo.

Alive in Atlanta #27

### Uptown girl... she’s been living in her uptown world... I bet she never had a backstreet guy... I bet her mama never told her why... I’m gonna try... Hey, hey, hey! Talking about mama, I just realized that my daddy’s birthday is on this Thursday (Dec 9th). Even if you don’t know him (what will make it funnier), please click at dieter@onda.com.br and drop him a line. You can say anything, from a simple and honest “Happy Birthday, Dieter” to a bull like “I love Alive in Atlanta. Thanks for editing its editor, eDieter!”

* AHHHHHHHHHHHHHHHHcabamos de voltar do show do Billy Joel e foi es-pe-ta-cu-lar! Que beleza de show! O Billy é uma figura fantástica. Animado, carismático e divertido, além de cantar e tocar piano com extrema perícia. Virei fã de carteirinha dele há muitos anos, quando meu pai comprou um CD duplo com suas melhores músicas, muitas das quais ele tocou hoje: Uptown Girl, My Life, You May Be Wrong, Piano Man, Stranger, Only the Good Die Young, Pressure, Allentown, Italian Restaurant, Miss Saigon... e por aí afora.

* O show foi na Phillips Arena, um lugar novo que fica junto ao prédio da CNN. (Aliás, fizemos um tour pelas dependências da CNN, tb.)
É lá que treinam e jogam o Atlanta Hawks (basquete) e o Atlanta Thrashers (hockey). O lugar é enorme, com capacidade para mais de vinte mil pessoas. E, acredite, elas estavam todas lá!

* Conseguimos, algumas horas antes, ingressos para uma arquibancada que ficava atrás do palco. Atrás do palco?! “Puxa, vamos ficar vendo a bunda do Biily Joel!” - pensei lá com meus botões. Ledo engano, o lugar não poderia ter sido melhor. A vista para o palco era privilegiada e ele estava tocando num piano giratório, além de também tocar num teclado bem perto de onde nós estávamos. Tem tanta coisa para falar do show que este Alive ficaria comprido demais e ainda seria pouco. Se vc quiser saber mais a respeito do show, mande-me um email; se quiser saber mais a respeito do Billy Joel, visite a página http://www.billyjoel.com.

* De qualquer forma, o show foi duca. Até o Elvis ele imitou. O Ricardo, que não conhecia o nosso amigo direito, flagrou-se várias vezes batendo palmas e falando sozinho durante a apresentação ;)

* You may be right, I may be crazy. Eu sou maluco, mas não tanto como o designer austríaco que veio dar palestra para nós nesta semana - Stefan Sagmeister. Ele, por exemplo, criou a última capa do CD dos Rolling Stones, que eu não acho assim nenhuma Brastemp. Mas o resto que ele mostrou foi muito legal. Soluções criativas e inusitadas que fazem a diferença nesse mercado quadradinho com um furo no meio. No CD “Feelings”, do David Byrne, existe uma seta pintada no disco. Vc gira o mesmo na caixa e, assim que ele parar, a seta indica um determinado sentimento. Aí é só tocar as faixas ali indicadas para se obter o clima sorteado.

* Os trabalhos do Sagmeister (que agora tem um escritório em NY) vão muito além de fazer capas de CD, mas, mais uma vez, a história é rica em detalhes e este Alive já está ficando muito longo.

* Calma. O fim está próximo. But you’ll come to a place, where the only things you feel are loaded guns in your face, and you cannot handle PRESSURE! Estamos em ritmo de panela de pressão. Temos de produzir todos os nossos trabalhos até quinta-feira, dia da nossa Critique e aniversário do Tai Pan (vc já escreveu aquele email?). O show hoje não estava nem um pouco no programa, mas acabou acontecendo graças ao pai do Ricardo, que está aqui e queria conhecer a Phillips Arena. Sem querer, descobrimos que o Billy Joel tocaria lá hoje e o resto vc já sabe.

* Ainda dentro da panela de pressão, passei o sábado tirando fotografias para uma campanha da Amtrak que estou fazendo com o Leo. Fomos ao parque, depois a um restaurante e depois ainda a um cinema, cujas poltronas nos interessavam. O filme que por acaso estava passando lá chamava-se “Being John Malkovich”. A história mostra um velhinho que tem um escritório num meio andar de um em prédio em Nova York. Ele tem cento e tantos anos porque vive passando de um corpo para o outro. Em seu escritório existe um portal que leva direto à cabeça do John Malkovich. Quem entra lá, fica por quinze minutos vendo o que o nosso amigo vê e consegue, com um pouco de treino, usar o corpo do John para satisfazer desejos mesquinhos. É uma piração atrás da outra que vale a pena conferir.

* Em tempo, as fotos das poltronas ficaram aproveitáveis, mas deverão requerer um certo refinamento via Photoshop.

### Sabe o que o Billy Joel cantou depois que viu o tamanho deste Alive? “I read you just the way you are!”

Bom, deixe para lá. Abraços, até a próxima (última edição do ano!) e tenha uma ótima semana.
Ricardo.